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Portuguese Vasai

Confesso que não visitei a cidade fortificada de Baçaim, no passado dia 17 de novembro de 2010, como tinha desejado. Eu estava com pressa de alcançar Bombaim, uma cidade que me é familiar. Como procurava apenas os vestígios da presença portuguesa do local, fui ao forte de manhã com um motorista de riquexó. Sabia que a cidade, outrora conhecida pelos magníficos monumentos e edifícios, estava irreconhecível devido à ignorância e ao abandono. Às vezes é difícil compreender as razões que levam a esse tipo de atitude indiana.
Quando alcancei a vista sobre o mar, parei no porto perto da Porta do Mar. Após ter cumprimentado alguns pescadores, provavelmente católicos, regressei no tempo e comecei a imaginar como seria essa gloriosa cidade com magníficos edifícios e monumentos, cobrindo uma área de 110 acres, protegida dos inimigos por um forte com 10 bastiões e por 21 navios de guerra com 17 canhões. Atualmente, ao passarmos a Porta do Mar, ainda se pode ver a porta de madeira, mas os monumentos no interior dificilmente se reconhecem. A igreja de São José pode ser reconhecida pela torre sineira e pelo céu abobadado do altar que outrora tinha frescos comparáveis aos da basílica de São Pedro no Vaticano. A igreja de Nossa Senhora da Vida, a mais antiga de Baçaim e datando de 1535, é reconhecida pela sua fachada. Na igreja de Santo António existem muitos túmulos dos fidalgos portugueses que viveram na cidade.
Parece que quase 89 acres da cidade fortificada estão sob proteção desde 1917. Contudo, o Departamento Arqueológico da Índia só recentemente iniciou, com alguma organização, os trabalhos de restauro, ou seja, de renovação. A igreja dos Jesuítas, conhecida pelo nome do único santo indiano da localidade, São Gonçalo Garcia, é o primeiro exemplo desse trabalho.
Baçaim sofreu influência dos portugueses, que governaram ininterruptamente a província de 1533 a 1739. A língua local, falada pela comunidade kupari, importou vocábulos do português. A comunidade católica, facilmente identificada pelos apelidos portugueses, tais como Carneiro, Cunha, Dias, Falcão, Fernandes, Ferreira, Gonçalves, Mello, Pereira, Sá, Silva e Souza, possui uma herança cultural ocidental. Contudo, os pescadores católicos não possuem apelidos portugueses. As igrejas carregam a arquitetura portuguesa e são idênticas às de Goa. Cada pedra da área do forte é uma peça de um "puzzle", cujo manuseio exige cuidados, de modo a se completar a história da Índia.
Alguns indianos notáveis, entre eles o padre Francis Corrêa e o professor Reginaldo da Silva, têm contribuído para imortalizar Baçaim. O professor Reginaldo foi solicitado, há poucos anos, para elaborar um guia turístico dos monumentos, mas “Bassein under the Portuguese”, a sua obra-prima, aguarda ainda publicação.
Os comboios rápidos locais que partem de Bombaim, estação de Churchgate, param em Vasai Road. A viagem demora cerca de 1 hora e o bilhete custa 13 INR. A partir daí, toma-se um autocarro local ou um riquexó para a cidade velha.

I confess I didn't visit the fortified city of Vasai, on Novembre 17 2010 as I had wished to. I was in a hurry, instead, to reach a city already familiar to me, Mumbai. As I was only looking for the Portuguese flavour of the place, in the morning I went to the fort with a rickshaw driver. I knew the city, once known for its remarkable monuments and buildings, was now unrecognizable due to ignorance and abandonment. At times it is hard to understand the reasons behind this type of Indian attitude.
When I reached the Sea view, I stopped at the port close to Porta do Mar (Sea Gate). After greeting some fishermen, probably Catholics, I went back in time and I dreamed how glorious was this fortified city with a fort of 10 bastions covering 110 acres of land housing magnificent buildings and monuments, all protected from enemies by 21 war ships each carrying 17 guns. Today, passing Porta do Mar, one can still see the wooden door, but the monuments inside are hardly recognizable. São José church can be recognized by the bell-tower and barrel-vaulted ceiling of the altar that once had frescoes comparable to those of Saint Peter basilica in the Vatican. Nossa Senhora da Vida church, the oldest church of Vasai, dating back as far as 1535, is recognized by its façade. In the church of Santo António there are many tombstones of Portuguese noblemen who lived in the city.
It seems, almost 89 acres of the fortified city have been under protection since 1917. However, the Archaeological Department of India only recently began, with some organization, the restoration, that’s to say, renovation process. The Jesuits church, known by the name of the only local Indian saint, São Gonçalo Garcia, is the first example of this work.
Vasai or Baçaim was influenced by the Portuguese, who ruled the province uninterrupted from 1533 to 1739. Local Samvedic language imported words from the Portuguese language. The Catholic Community has its cultural western heritage and is easily identified by the Portuguese surnames, such as Carneiro, Cunha, Dias, Falcão, Fernandes, Ferreira, Gonsalves, Mello, Pereira, Sá, Silva, and Souza. Catholic fishermen, however, have no Portuguese surnames. Churches bear Portuguese architecture and are identical to those of Goa. Each stone in the area fort is a piece of a puzzle that one needs to manage carefully to complete the Indian history.
Some notable Indians have contributed to immortalize Baçaim, such as Father Francis Corrêa and Professor Reginaldo da Silva. The latter, was requested a few years ago to elaborate a tourist guide of the monuments, but "Bassein under the Portuguese", his masterpiece, is still awaiting publication.
Local fast trains leaving from Mumbai Churchgate station halt at Vasai Road. The trip takes around 1 hour and costs 13 INR. From that, take local bus or rickshaw to the old city.

Posted by avieira67 14:04 Archived in India Comments (0)

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